Bom, vai-se o mês de março e,
infelizmente, as últimas notícias não são o que podemos dizer de
bom encerramento do mês. Nas duas últimas semanas, não foram as
águas de março que fecharam o verão e sim mais situações que nos
levam a reflexão de que precisamos ainda amadurecer e nos preparar
mais e mais para as dificuldades que nossos líderes e esse mundo nos
apresentam.
Temos aí por exemplo a dengue, que
apesar de ser uma doença com quase 30 anos de evidência, ainda nos
faz sofrer terrivelmente a cada verão, mas pior do que isso, esse
ano bateu todos os recordes de casos, principalmente em SP. Porém o
que mais impressionou foi o Ministério da Saúde ter bancado uma
reunião Macrorregional Sul, Sudeste e Centro-oeste, no fim do verão!
Após a dengue superar os outros anos e devastar nossa população
com um aumento absurdo de casos, eles resolvem se reunir para
discutir o tema. Não foi um pouco tarde?
Pegando carona nesse mesmo assunto,
essa reunião também mostra outro destempero dos políticos. O
encontro aconteceu em um hotel classe A do Rio de Janeiro, em uma das
áreas mais caras do Brasil. Como podemos entender uma situação
como essa, já que estamos no meio de lançamentos de pacotes de
corte de gastos públicos, fora o processo desgastante para a
aprovação da impactante política de adequação de economia de
nossa Presidente? Não é no mínimo uma imprudência? É óbvio que
havia um auditório mais simples e com os recursos necessários para
o evento. Mais uma vez nossa classe política perdeu uma grande
oportunidade de dar um bom exemplo frente a atual situação do país.
Outro assunto que continua em
evidência, e espero que demore o tempo necessário para punir todos
os culpados, é a operação Lava Jato. Agora tivemos declarações
mais do que óbvias, porém em boa hora, do ex-diretor da PETROBRÁS
Paulo Roberto Costa, o qual diz que doação eleitoral oficial é a
maior “balela” que existe no país, se referindo as doações
feitas pelas empreiteiras a campanhas de diversos políticos
brasileiros. Ou seja, de doação não tem nada. É como se fosse um
empréstimo, onde o candidato recebe e depois tem que dar um jeito de
retribuir o “favor”. E aí temos mais uma vez oposição e
situação agraciados com milhões de reais para suas campanhas. Dá
pra acreditar que mudanças de vertentes políticas realmente trarão
mudanças para nossa sociedade? Fica claro que é pouco provável,
pois os interesses atendidos são os das grandes empresas sempre.
Pra fecharmos nosso balanço, o que
vemos hoje no cenário nacional, é uma lamentável consequência das
investigações de corrupção envolvendo empreiteiras e governo.
Diversas obras públicas de grande porte (Transposição do São
Francisco, Rodoanel SP, etc.), estão sendo paralisadas por conta das
dificuldades financeiras que as empresas envolvidas nos escândalos
de corrupção da PETROBRÁS estão passando. Dificuldades de crédito,
por conta no “nome sujo na praça” e suspensão de pagamentos,
geram inadimplência a fornecedores e milhares de demissões.
Infelizmente, com isso, vemos o quanto a corrupção está enraizada
no estado brasileiro. De um modo que lamentavelmente chegamos a
conclusão que, para o país “rodar”, tem que ter dinheiro de
caixa 2 ou passado por debaixo dos “panos”. E não se iludam,
pois sempre foi assim! Desde a ditadura militar, até os primeiros
passos da redemocratização do Brasil há 30 anos. Já morria gente
por falta de atendimento em hospitais, professores faziam greve todos
os anos por conta de seu salário pífio, a segurança pública era
péssima (eu fui assaltado aos 13 anos, em 1985 em um dia de sol, por
volta de 14:00, indo para a escola), o transporte público dava medo
(tínhamos a sensação que se encostássemos em algumas partes dos
ônibus pegaríamos tétano) e críticas severas a presidentes (eu
fui a algumas passeatas do “fora Sarney”). Em paralelo, a
corrupção, como sempre, correndo solta. Desde essa época já se
falava em bandalheira na PETROBRÁS, IPEM, INPS (atual INSS). Nada
diferente de hoje em dia, até porque, muitas “caras” daquele
período ainda se encontram no meio de nossos deputados e senadores.
É meus caros camaradas, a única diferença, é que a falta de ética
e moral hoje, está apenas mais organizada do que antes. A verdade, é
que esse estigma de perversão política, sempre nos assombrou... e a
verdade prevalece!

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